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De
acordo com a classificação tradicional, a voz de tenor
corresponde à faixa de sons mais aguda que pode ser emitida,
no canto lírico, por uma pessoa do sexo masculino. Ela distingue-se
do barítono e do baixo por ter sua extensão padrão
dentro dos limites do Dó2 ao Dó4 - os números
correspondem à oitava do piano.
O termo tenor provém do latim tenere,
que significa sustentar. Na música medieval, à voz do tenor
era atribuída, via de regra, a linha principal do canto. Por esta
razão, o intérprete deveria ser capaz de 'sustentar' as
notas enquanto as outras vozes, mais agudas, realizam floreios vocais.
A rigor existem outras duas vozes masculinas ainda mais agudas do que
a do tenor: o contratenor, onde o cantor atinge o alcance vocal
que corresponde à voz feminina de mezzo-soprano, e o sopranista, que
chega mesmo a emitir notas na faixa de uma soprano.
No geral, as vozes masculinas não são capazes de atingir
naturalmente o alcance vocal de um contratenor ou sopranista,
porque durante a puberdade os hormônios fazem as cordas vocais
engrossaram. Com isso, a voz desloca-se então para uma zona de
emissão grave, o que exige, para os intérpretes que se
especializaram nessa função, um treinamento especial. Por
esta razão, o tenor é ainda tradicionalmente considerado
a mais aguda dentre as vozes masculinas.
No repertório operístico clássico e romântico,
os tenores costumam desempenhar os papéis masculinos principais,
enquanto os coadjuvantes mais importantes são as vozes mais graves
do barítono ou do baixo.
Conforme a altura da voz e as habilidades técnicas exigidas por
um determinado papel na ópera, os tenores são distinguidos
em:
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- Tenor
dramático (tenore
drammatico): de voz encorpada, a mais grave dentre os tenores,
de colocação sombria e capaz de transmitir a
carga dramática que é exigida por papéis
trágicos, tais como os heróis verdianos - Otello,
por exemplo;
- Tenor
heróico (Heldentenor): é o
tenor dramático com capacidade de emissão próxima
a um barítono, e está quase que exclusivamente
ligado ao repertório musical composto por Richard Wagner
- responsável, aliás, pela criação
do termo - em óperas como Siegfried e Lohengrin;
- Tenor
lírico (tenore
lirico): voz de timbre claro, com pleno domínio
da região média;
- Tenor
spinto (tenore
spinto): tenor cuja voz é 'empurrada' para a região
do tenor dramático, ou seja, o canto possui um timbre
claro mas deve ser capaz de 'escurecer' , de forma a transmitir
a dramaticidade exigida por papéis trágicos;
- Tenor
ligeiro (tenore
leggiero): a voz mais aguda dos tenores, de timbre claro
e brilhante, com boa projeção e domínio
técnico suficiente para a execução de
floreios; é empregada sobretudo nas óperas do
bel canto; e
- Tenore
di grazia: é o tenor lírico extraordinariamente
hábil, em especial no tocante ao pleno domínio
do legato e
do passagio.
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