|
A
Cafua das Mercês foi construída em meados do século
XVIII. Segundo reza a tradição, nela funcionou o mercado
de escravos de São Luís - trazidos em sua maioria
diretamente da África, esses escravos eram desembarcados
nas proximidades, no Portinho, e depois transportados até
o local, onde ficavam expostos à espera dos eventuais compradores.
O prédio, uma construção de pedra e cal, é
o remanescente de um passado que o Brasil, em seus primeiros anos
de República, tentou a todo custo apagar de sua História.
Atualmente, preserva a memória das provações
impostas aos escravos, e abriga o Museu do Negro, que dispõe
de uma significativa coleção de arte africana,
com peças dos grupos Bambara, Dogon e Senufo, entre
outros. Também
integra o acervo do museu vários instrumentos de suplício,
entre eles uma réplica do Pelourinho de São Luís,
cujo original foi destruído quando da Libertação
dos Escravos, ocorrida em maio de 1888.
A Cafua - palavra originada do dialeto banto, e que significa cova,
caverna, lugar escuro e isolado - é um pequeno sobrado com
uma fachada uniforme em estilo marcadamente colonial. Possui dois
pavimentos. Sua porta principal é ladeada e encimada por
seteiras, as quais se acham centradas em nichos emoldurados por
argamassa. Vale notar que essas seteiras são as únicas
aberturas para a entrada de luz e para a ventilação,
visto que não há janelas no local.
Originalmente, a Cafua dispunha de vários compartimentos
internos, mas estes precisaram ser removidos durante a última
restauração a que ela foi submetida, de modo a que
o acervo do Museu do Negro pudesse ser convenientemente exibido.
Após o salão térreo, há um pequeno
pátio
interno, revestido de cantaria e cercado por um alto muro de pedra.
O acesso ao segundo pavimento se faz por uma estreita escada de
concreto, e nesse aposento encontra-se a maior parte das peças
de arte de sua coleção.
A Cafua é um lugar extremamente sóbrio, de atmosfera
opressiva. Suas grossas paredes testemunharam dores indizíveis,
que jamais deverão ser esquecidas. Por isso mesmo, a visita
ao local é imprescindível, embora impactante. Fica
na Rua Jacinto Maia, ao lado do Convento das Mercês e funciona
das 09h00min às 18h00min, de segunda a sexta-feira.
[Localize-se]
[Galeria
de Fotos]
|