Os personagens da Cidade foram pessoas extraordinárias
- cada qual a seu modo.
Alguns foram bons; outros, não. Alguns possuíram
notáveis
qualidades, uma estatura moral ímpar, solar. Outros não
tiveram escrúpulos ou caráter, nem se preocuparam
com as conseqüências dos atos que praticaram.
Alguns dos personagens da Cidade usaram o máximo de seus
talentos e de sua capacidade intelectual para promover o bem estar
comum, poupar
vidas, ajudar o próximo sem nada pedir em troca - sequer
o reconhecimento de seus contemporâneos. Outros, ao contrário,
passaram por cima de tudo e de todos, destruíram ao invés
de construir, foram temerários e ousaram arriscar suas
vidas não raras vezes apenas para infligir a dor, o sofrimento
e a morte - e, surpresa, foram saudados como heróis.
Desses personagens, alguns morreram por seus ideais, deram a vida
por uma causa ou se sacrificaram por aquilo que achavam certo.
Outros, porém, não souberam jamais o que fossem ideais
- pelo menos no melhor sentido da palavra -, nem se importaram
em
trair ou
perseguir aqueles que tivessem semelhante qualidade. Apenas desejavam
com ferocidade, agiam com fria violência, eram cínicos,
turbulentos e dissimulados.
Alguns foram abnegados, justos e humanos - demasiadamente humanos,
até porque os santos não são mais deste mundo.
E por isso mesmo cometeram erros infantis, fracassaram, faliram.
Mas viveram intensamente.
Outros não se detiveram jamais em considerações
mais profundas sobre o certo e o errado, o público e o privado.
Alguns passaram a vida inteira na Cidade, outros estiveram
aqui apenas de passagem. Uns foram embora navegando embalados pela
doce recompensa
dos que conseguiram realizar seus sonhos, outros viram suas esperanças
ruírem por terra e para nunca mais.
Uns foram bons. Outros foram maus. Uns deixaram saudades. Outros,
não.
O fato que permanece, porém, é que todos esses personagens
- cada qual a seu modo - deixaram as marcas de sua passagem no coração
de São Luís: e isso para sempre.
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