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Ao
longo de seu percurso, a Avenida Pedro II assinala o local onde
São Luís nasceu e onde foi estabelecido o primeiro
núcleo habitado da cidade. Claude d'Abbeville, capuchinho
que veio com a expedição de Daniel de la Touche
fundar a França Equinocial, declarou que o lugar
era "uma
bela praça", para acrescentar a seguir que ela
estava situada "numa alta montanha e na ponta de um rochedo
inacessível,
superior a todos os outros e donde se descortina o terreno a perder
de vista."
Trata-se do logradouro mais antigo da cidade - aqui os franceses
levantaram seu forte de pau-a-pique e suas
habitações
cobertas de pindoba, depois tomados e arrasados pelas tropas de
Jerônimo de Albuquerque em nome de Portugal, durante a guerra
de reconquista do território maranhense. Aqui também
estiveram as tropas holandesas que ocuparam o Maranhão
de 1641 a 1644 e perpetraram as maiores violências, como
no episódio
onde as mulheres e as filhas dos colonos presos por sublevação
foram colocadas despidas para fora dos muros do forte São
Felipe - sobre cuja fundação ergue-se atualmente
o Palácio dos Leões, sede do Governo do Estado.
Ao longo dos anos, todas as manifestações populares,
de júbilo ou de revolta, vêm acabar no antigo Largo
do Palácio - como antes era conhecida a Avenida Pedro II.
Foi assim com o violento protesto feito pelos portugueses de São
Luís contra a adesão da província à
Independência do Brasil, e depois com o protesto dos brasileiros
clamando pela expulsão dos portugueses e dos padres franciscanos,
durante a Setembrada. A crônica oficial da cidade está
repleta de ocorrências parecidas: das tensas reuniões
de populares querendo saber notícias sobre o desenrolar da
Revolta da Balaiada, que ensangüentava o interior do Estado,
passando pela Proclamação da República, pelos
rumores da revolta popular de 1950 a 1965 - anos marcados por sucessivos
choques entre governistas e oposicionistas, durante os quais a cidade
esteve praticamente em estado de sítio ininterrupto -, até
chegar aos dias de hoje.
Embora tenha sido palco de tantos eventos marcantes, a Avenida Pedro
II proporciona um passeio tranqüilo, sobretudo aos sábados
e domingos. O movimento do trânsito, bastante intenso durante
toda a semana, cede lugar a uma quietude quase solene. É
hora então de apreciar a imponência da Catedral da
Sé e do Palácio Episcopal, as linhas austeras da Prefeitura,
o belíssimo Palácio dos Leões, o Fórum,
os casarões seculares - e sentir no rosto a agradável
brisa que sopra placidamente da enseada aos pés do "rochedo
inacessível" que d'Abbeville descreveu há
quase quatrocentos anos.
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