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Joaquim de Melo e Póvoas foi um dos mais eficientes
e atuantes governadores do Maranhão da época colonial,
tendo comandado o Estado sob duas condições distintas:
de 1761 a 1775, quando tinha a patente de coronel e a capitania
era ainda subordinada ao Governador e Capitão-general do
Grão-Pará e Maranhão - que ficava sediado em
Belém -, e de 1775 a 1779, já então no posto
de Governador e Capitão-general do Estado do Maranhão
e Piauí.
Ao todo, foram dezesseis anos de governo, onde ele trabalhou arduamente
para o desenvolvimento da agricultura local - sobretudo as lavouras
de arroz - e para o incremento do comércio. Ciente de que
representava o poder e os interesses de El-Rei nestas latitudes,
Melo e Póvoas
cuidou de viajar diversas vezes ao interior. Visitou quase toda
a sua extensa capitania, não hesitando em deslocar-se aos
recantos mais distantes, tais como Brejo e São Bento das
Balsas.
Por iniciativa sua, foi instalada em São Luís uma
fábrica de anil, às margens do rio desse mesmo nome,
e, diligente, não descuidou da segurança e da defesa
da capitania: reformou a fortaleza de São Francisco, ordenou
a construção da de São Marcos , São
Miguel - onde antes fora, originalmente, a de São Felipe
- e a de São Sebastião, em Alcântara.
Tinha um caráter altivo. Mesmo sendo coadjuvado no governo
pela Companhia do Comércio do Grão-Pará e
Maranhão,
não admitia que os colonos sofressem prejuízos
ou fossem por ela prejudicados. Via de regra, Melo e Póvoas
não permitia também que considerações
pessoais interferissem em suas decisões administrativas:
quando perseguiu os padres e os dirigentes das aldeias secularizadas
dos índios, não o fez apenas porque possuia
a firme convicção de que eles estavam mancomunados
para solapar a autoridade da Coroa, mas sim para fazer cumprir
integralmente
as determinações legais que proibiam a exploração
do trabalho nativo, algo nem sempre observado nesses locais.
Houve, sem dúvida, quem o considerasse ateísta, um
implacável adversário da Igreja e dos missionários
- impressão essa que foi ainda mais acentuada quando ele
entrou em conflito com o bispo Dom Frei Antonio de S. José,
a quem fez ser chamado à Corte, em Lisboa, sob a acusação
de apoiar os missionários que viviam nas aldeias transgredindo
a Lei. Logo a seguir procedeu da mesma maneira com o Vigário-geral,
Pedro Barbosa Canaes.
Militar de carreira, Melo e Póvoas era na verdade um pragmático
a quem importava apenas cumprir a missão recebida e zelar
pelos interesses de seu Rei, assim como fizera seu tio, o Marquês
de Pombal, ao expulsar de todas as possessões da Coroa os
missionários da Companhia de Jesus, ordem religiosa que ele
julgava estar constituindo um Estado independente dentro do Estado
português.
Incansável, mandou explorar os rios Mearim, Itapecuru e
Pindaré.
Quando finalmente foi concedida a autoridade administrativa ao
Estado do Maranhão e Piauí, desvinculados do Grão-Pará
em 1772, foi promovido a Capitão-general, permanecendo à
frente do governo da nova Capitania. Por essa época, recebeu
do chefe do governo português, o Marquês de Pombal,
uma carta que mais tarde se tornou célebre e onde o grande
estadista traçava para o sobrinho uma série de
conselhos e normas administrativas bastante singulares.
Coube a Melo e Póvoas edificar o prédio do palácio
governamental, dando-lhe as linhas gerais que ainda hoje permanecem,
e iniciou a primeira séria tentativa de remodelar o traçado
urbano de São Luís, realizando obras de porte, como
a abertura de uma estrada da cidade até a então distante
Ponta do Romeu, onde atualmente se encontra a Praça dos Remédios.
Incentivou também os trabalhos do Canal do Arapapai, à
época denominado Passagem de S. Joaquim, e promoveu ainda
a cultura de amoreiras para a criação do bicho da
seda.
Melo e Póvoas foi um dos governantes mais bem considerados
pela população de São Luís, mas, depois
de tantos anos dedicados à cidade e ao Estado do Maranhão,
almejou mudar de ares. Antes de conseguir ser substituído,
implantou na cidade uma Junta de Justiça, criada pela Carta
Régia de 04 de fevereiro de 1777 e integrada por um Ouvidor,
um Juiz de Fora e dois Vogais, ministros das cidades mais próximas.
[A
Carta do Marquês de Pombal]
[A
Companhia de Comércio do Grão-Pará e Maranhão]
[O
Marquês de Pombal]
[A
Companhia de Jesus]
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