| O SIMBOLISMO |
O
Simbolismo surgiu na França no final do século XIX, contrapondo-se
aos rígidos padrões estéticos fixados pela Escola
Parnasiana e à extrema crueza da Escola Naturalista. Ocorreu
tanto na literatura quanto na pintura.
Pautado no valor intrínseco do indivíduo e em sua realidade subjetiva, o Simbolismo buscava, antes de tudo, a sugestão do subconsciente. Em síntese, a poesia não devia ser entendida, mas sentida. Para conseguir esse feito, a musicalidade do texto era explorada até o limite do possível através do uso recorrente de aliterações e assonâncias. A atmosfera do poema, ou do texto em prosa, tornava-se propositalmente nebulosa, vaga, onírica. As imagens buscavam mais sugerir do que descrever, sendo bastante utilizado o recurso da sinestesia, de forma a que fosse evocada a estranheza dos sonhos pela insólita fusão de recursos sensorias distintos, como por exemplo nas expressões neve escura ou cheiro opaco. Além disso, o poema simbolista era caracteristicamente místico, não materialista e fruto de um conflito metafísico. A dor de existir manifestava-se nele em toda sua plenitude e com bastante pessimismo. Charles Baudelaire é aceito como o precursor, e um dos mais destacados expoentes do simbolismo no mundo. Os cânones formais e as diretrizes mais relevantes do movimento estão esboçados em seu soneto Correspondances, muito embora oficialmente a escola tenha tido seu início em 1886, com a publicação do manifesto de Jean Moréas no suplemento literário do jornal Le Figaro, onde foi declarado que o simbolismo constituía-se num movimento idealista e transcendente - portanto, em total oposição à ciência objetiva, ao intelectualismo e à rigidez formal. A reação à nova escola foi áspera. Escritores do porte de Anatole France e Jules Lemaître atacaram seus preceitos e a crítica oficial simplesmente recusou-se a comentar toda a poesia posterior de Baudelaire. O simbolismo foi também considerado decadentista e hermético, mas produziu uma poesia de superior qualidade com Mallarmé, Verlaine e Cruz e Souza, considerados a tríade de ouro do movimento. Na pintura, o simbolismo constitui-se numa reação ao impressionismo. Seus representantes cultivavam o gosto pelas superfícies planas e achatadas, propondo uma simplificação do desenho e a aplicação da cor em largas pinceladas, como se vê nos quadros de Odilon Redon. Apesar de esgotado como movimento já início do século XX, o simbolismo conseguiu o difícil feito de transcender seus preceitos, influenciando assim toda uma geração de escritores modernistas, tais como T. S. Elliot, William Butler Yeats, Rilker e, mesmo, James Joyce. |
| Sisyphus, do pintor simbolista Von Stuck |