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Fundador com Antonio Lobo, I. Xavier de Carvalho e Corrêa
de Araújo, entre outros, do movimento de renovação
literária denominado Os Novos Atenienses, que em fins
do século XIX e início do século XX sacudiu
o meio intelectual de São Luís com idéias e
conceitos vanguardistas, Maranhão Sobrinho foi o mais singular
poeta de sua geração.
Boêmio, por vezes até mesmo desbragadamente ébrio,
José Américo Augusto Olimpio Cavalcanti dos Albuquerques
Maranhão Sobrinho nasceu em Barra do Corda, interior do
Estado, em 25 de dezembro de 1879, e morreu ainda jovem, em
Manaus, no mesmo
dia em que completava 36 anos. Nesse breve espaço de tempo,
encarnou como poucos a figura trágica do poeta dominado
por suas angústias existenciais - viveu rápido
e intensamente: suas dores, reais ou imaginadas, lançaram-no
na sôfrega
busca pelo prazer e no caminho da autodestruição.
Mas se ele era essa espécie de romântico trágico
na vida pessoal, sua poesia está em outro patamar. Simbolista
ortodoxo, foi um visionário capaz de construir imagens perturbadoras
em versos admiravelmente bem urdidos, sensualmente mórbidos,
onde por trás de cada palavra flutua, não muito distante,
a imensa sombra de um amargo pessimismo com o mundo e com as pessoas.
Sem dispor de recursos financeiros, publicou seus trabalhos
com grande dificuldade. Foram ao todo três livros editados
de modo bastante precário, com circulação
restrita
à província. Além disso, apenas colaborações
esparsas, ainda que numerosas, em revistas e jornais de São
Luís. Muito embora sua obra ainda não tenha sido
objeto de um estudo mais aprofundado, a crítica nela
destaca uma bem assimilada influência de Baudelaire e
Verlaine, considerando-o ao mesmo tempo um dos luminares do
movimento simbolista no Brasil
- quase no mesmo nível ocupado por Cruz e Souza e Alfonsus
Guimaraes, expoentes máximos da escola.
De qualquer sorte, coube a Maranhão Sobrinho ser um poeta
representativo do período de transição da literatura
maranhense - teve o talento amplamente reconhecido, tanto pelo público
quanto por seus pares, foi um dos fundadores da Academia Maranhense
de Letras, mas sofreu estilisticamente na difícil tarefa
de buscar uma síntese convincente entre o Romantismo ainda
em voga, o Parnasianismo e o Simbolismo. Reflexos dessa luta estéril
são visíveis em seus poemas. Houvesse vivido mais
alguns anos, talvez sua obra conseguisse escapar dessa armadilha
literária, atingindo novas e inesperadas dimensões.
Ainda assim, figura em destaque no Panteon dos poetas maranhenses
de todos os tempos.
[Leia
o Soneto Soror Teresa de Maranhão Sobrinho]
[Leia
o Soneto Equatorial de Maranhão Sobrinho]
[Sobre
a Escola Simbolista]
[Sobre
a Escola Parnasiana]
[Sobre
a Escola Romântica]
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