NA ARENA
Sou cavalheiro e menestrel, chorosas,
Notas desfiro no arrabil das dores;
Brando a lanço de lendas luminosas
E a guitarra imortal dos trovadores.

Buscando justas e buscando amores,
Vêm-me em sonhos todas as formosas,
Com um’harpa de pétalas de flores,
Com uma espada de jasmins e rosas.

Seguirei combatendo destemido,
E quando um dia em chagas escarlates
Entre agonias eu tombar vencido,

Oh! bando loiro em sonhos absorto!
Ponde este gládio tosco dos combates
Na tumba azul do cavalheiro morto.

 
Harpas de Fogo, 1903 
Leonidas nas Termópilas, de Jacques-Louis David