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  MATÉRIAS ESPECIAIS   |    Bumba-meu-boi: sotaque de zabumba


Já se falou no artigo anterior que, dentro da brincadeira de bumba-meu-boi, embora a história gire sempre em torno das aventuras de Pai Francisco e de sua mulher, Catirina, ela é contada ao som de ritmos variados, também chamados de sotaques.

Naquele artigo, se disse ainda que o sotaque é a alma do boi, sua bandeira, aquilo que mais fortemente o identifica.

Pois bem, com a devida licença pedida a São João, São Pedro e São Marçal, e a todos os demais santos de devoção que apreciam a brincadeira, vamos falar agora sobre o bumba-meu-boi de sotaque de zabumba. E vale avisar logo, que é para depois não haver reclamação: quem tiver o queixo mole é bom procurar um apoio para ele, pois a terra treme quando a toada se levanta na voz do cantador e os instrumentos dos brincantes apanham com vontade.

Quem já esteve no meio de uma apresentação de um boi de zabumba sabe exatamente que a sensação é essa mesma – a terra treme, você treme junto com ela e, mesmo não sendo maneiro de junta, não consegue evitar cair na dança.

Mas também pudera - o som produzido pelas zabumbas é poderoso, grave, envolvente: afinal, são grandes tambores de mais ou menos meio metro de altura, feitos de madeira e cobertos de couro. Tocadas com o auxílio de uma vaqueta, fazem o centro da marcação do ritmo da toada e em torno delas gravitam os maracás, harmonizando-as, enquanto os tamborinhos preenchem suas pausas com uma sucessão de notas agudas.

Como se disse, a terra treme. Sobretudo porque, em meio a essa poderosa algaravia, onde as cadências lentas e as mais apressadas se alternam, anota-se ainda a participação dos tambores-de-onça – cilindros de madeira ou flandres, e cujo som assemelha-se surpreendentemente ao urro desse animal – e dos tambores de fogo, instrumentos bastante primitivos, feitos de troncos de mangues tornados ocos pelo uso do fogo e cobertos de couro cru.

Considerado o mais autêntico e o mais antigo do Maranhão, o bumba-meu-boi de sotaque de zabumba destaca-se ainda pela forma bastante peculiar de ser dançado – na base de passos miúdos, repisados, usando o calcanhar como principal ponto de apoio. Entre os vários grupos de brincantes desse sotaque, às vezes chamado de Guimarães, pois se originou na Baixada Maranhense, destacam-se o Boi da Liberdade, da Fé em Deus e, claro, o de Guimarães.

Agora, segure o queixo, colega, porque a toada vai subir de tom uma vez mais.

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